30 de novembro de 2014

137 - MASALIMA / SATRINYA

HILLARY EM 1974
137 por Carine Würch - SEMANA 26

Parte I

Preciso exercitar a memória para lembrar as pessoas e incidentes, que acredito iniciaram para mim no inverno de 1972! 

Tinha minha licença em cosmetologia por aproximadamente cinco meses, e nenhuma perspectiva de trabalho, exceto meio turno em vários salões de beleza. Naquele momento, na minha jovem vida adulta, estava com uma variedade de problemas de saúde. Por acaso, vi um horário de aula, que incluía "Dança do Ventre" no Centro de Recreação Montclair, localizado no belo bairro Montclair das colinas de Sao Francisco Bay.

Pensei: "Por apenas um dólar por classe, por que não?"

Minhas aulas eram uma vez por semana. A professora chama-se Hillary. Eu mal podia esperar! As duas primeiras semanas de aulas, no entanto, foram ensinados por uma substituta: a bailarina Aida Al-Adawi. Durante o intervalo de trinta minutos, Aida nos deu uma visão sobre o mundo fantástico, e peculiar, da comunidade de dança do ventre. Isso intrigou-nos sem fim!

Aida também nos contou sobre sua professora: uma mulher chamada Jamila Salimpour.

Na opinião de Aida, Jamila era a professora mais imitada na área de Sao Francisco Bay. As mulheres vinham de todo o em torno da Baía para estudar com Jamila, e nas palavras de Aida, "Depois de apenas três aulas, elas iriam ensinar a dança do ventre!"


Aida nos deu um resumo da experiência de Jamila

Jamila tinha dançado por 27 anos em Los Angeles. Depois que ela se mudou para Sao Francisco e trabalhou no "Bimbo's 365 Club" em North Beach. Como Jamila aprendeu a dançar, Aida nos disse, foi assistindo seu pai, um marinheiro italiano, que estava de plantão no Norte da África. Pelo menos, essa foi a história. 

(Outro dos alunos de Jamila, Habiba, também perpetua este "Mito". Ela foi ainda mais longe e disse-me: "Eu digo às pessoas que Jamila nasceu na Argélia e aprendeu a dançar lá também.") 

De acordo com Aida, Jamila teve teve uma carreira longa e famosa como a The Prima Belly Dancer na área da Baía de Sao Francisco. Ela foi mentora das melhores dançarinas do ventre, como Galya, Rhea, Meta (mais tarde Nedda), Hillary, Raina, Yasmeen, Katoria, Kismet, Sonya, e Nakish

Os outros dançarinos que foram bem conhecidos, tais como Sula, Sabah, Magana Baptiste, e Najia, eram " rotegidos" de Bert Balladine e, portanto, considerados pelo clã de Jamila como personae non grata. De acordo com a ladainha de Aida, Bert foi apenas um dos imitadores de Jamila e - talvez - seu inimigo.

... continua


FONTE:
** Tradução Livre por Carine Würch **

29 de novembro de 2014

138 - SATRINYA

138 por Carine Würch  - SEMANA 26

Rápida Biografia:

1. Estudou com Jamila sob o nome inadequado para a bailarina, Masalima, dado por Jamila

2. Cresceu na área da Baía de São Francisco, mas saiu de lá.

3. Católica italiana

4. Casou várias vezes. Uma vez  com um judeu marroquino. Eram donos do Restaurante Casablanca em Berkeley, onde dançava. Foi superado pelo Spenger's and Brennan's Bar & Grill, no final dos anos setenta.

5. Em seguida, casou-se com Khalil Aboud e teve um filho com ele chamado Mark Omar Aboud.

6. Tem um filho mais novo com o quarto marido.

7. Foi uma Roller Derby skater.

8. Depois de dançar em outros países, ela descobriu o estilo de Jamila não existia no Oriente Médio, e mudou a forma como ela dançava e também seu figurino. Também mudou seu nome artístico para Satrinya.

9. Tem um senso de humor irônico.

FONTE:

28 de novembro de 2014

139 - MASALIMA

139 por Maria Carvalho - SEMANA 26

"Ela tem melhor nome que eu" reclamou outra aluna de Jamila, ao saber do nome escolhido.

O nome profissional... questão difícil. Busca-se a originalidade e algo que se identifique com a pessoa, afinal será uma segunda pele, o nome de batismo nos é imposto por nossos genitores, mas o profissional é escolha (in)consciente de cada uma.

Ao saber do nome, Jamila ordenou: use-o!!! E assim surgiu Masalima... anos mais tarde, ao deixar Sao Francisco para dançar fora, mudou de nome e de estilo, ao perceber que no Oriente Médio o estilo de Miss J não existia. E assim morreu Masalima para nascer Satrinya.

O que aprende-se com isso?

Tenha certeza da escolha do nome, a menos que você sofra de múltipla personalidade e necessite de várias formas de ser conhecida.... único nome, forte, marcante e impactante será a maneira com a qual seus pares irão lhe distinguir dos demais.

Xeros e vamo que vamo

27 de novembro de 2014

140 - DeANN ADAMS

140 por Maria Carvalho - SEMANA 26

"Eu poderia fazer uma música para você."

Assim se apresentou Doug, a sua futura mulher DeAnn. Ele era músico formado pela Universidade do Texas, mudou para San Francisco para se aventurar em sua arte e encontrou sua musa inspiradora.
Ele acredita ter ouvido os snujs, mesmo antes de ver DeAnn em sua apresentação semanal no club The Holy City Zoo, e dias depois ele fazia parte de sua banda de música árabe.

Em meio as intempéries de viver da arte, DeAnn teve a ideia de lançar um álbum com as músicas que Doug compôs para sua dança e assim nasceu Dream Dancer.  Big surpresa, as músicas compostas para serem dançadas em solos de bellydance na verdade despertaram interesse de uma cia de ballet que as incorporou em seu repertório, levando para os palcos o ballet mais exótico e sensual já visto.

O vídeo publicamos ontem, lindo não?! Apaixonei... acredito que essa foi a sensação de DeAnn.

Vendo a história deste dueto percebo que DeAnn jamais soleou, pelo menos não depois de conhecer Doug, o vínculo que os imantava acabaram por formar uma parceria que durou toda vida da linda bailarina dos zils encantados. As músicas tinham uma razão de existir e assim um impulsionava e inspirava o outro a seguir criando.

"Todas as músicas que eu escrevi, foram baseadas em performances ao vivo de DeAnn. Na verdade, eu fiz isso olhando para cima, enquanto observa sua dança com a espada." (Doug)

Mas não só as músicas, há pinturas, desenhos de Doug, todos representando a potência dos seus sentimentos por DeAnn.

Quem, como eu, for louco por bolachões (vinil) corre e garimpa aí, deve haver umas 100 cópias de Dream Dancer por esse mundo de Meu Deus.


Super xeros
Vamo que vamo





26 de novembro de 2014

141 - DeANN ADAMS

141 por Carine Würch - SEMANA 26

PARTE 2

Um destaque na carreira veio quando Gerald Arpino, do Joffrey Ballet, descobriu Light Rain e DeAnn. Ele observou seu estilo de dança, e hoje é claramente refletida na assinatura do trabalho coreográfico de Arpino intitulado Light Rain.



DeAnn se aventurou pelo estilo fusion original, em coreografia e apresentação, enquanto muitos bailarinos tinham medo de sair do tradicional. Sua trupe, The Dream Dancer, era conhecida por ser inovadora, de uma maneira à frente do seu tempo. 

Muitos nunca esquecerão a entrada da troupe: com enormes saias ciganas  coloridas, fazendo piruetas pelo chão. Ela inspirou milhares de dançarinos, incluindo Amaya. Através de seu ensino, Amaya lembra sua inteligência e seus giros, que eram sua assinatura. 

Seu corpo escultural e longos cabelos dourados, eram invejados. Amaya relata: "Eu me lembro de estar com ela em um bar no centro de San Francisco, quando um cowboy texano passou e perguntou:" 'Licença, minha senhora, mas você é uma estrela de filme ou algo assim?"

Infelizmente, durante o auge de sua dança, não form feitos vídeos profissionais ou filmes de suas performances. Explicações de Doug para esta perda: "Foi antes do vídeo ser tão comum, as filmadoras eram caras e nós estávamos sempre sem dinheiro, colocando tudo nas gravações do Light Rain. Mas, principalmente, éramos jovens; pensamos que poderíamos continuar assim para sempre."






DeAnn e Doug produziram uma compilação de sua obra, um vídeo intitulado "DeAnn’s Dream" pouco antes de sua morte prematura, no início de 2000 com a idade de 51.


"Pode-se acreditar que ela tenha dançado esta dança em outras vidas.
Doug Adamz








FONTE:
** Tradução Livre - Carine Würch **

25 de novembro de 2014

142 - DeANN ADAMS

142 por Maria Carvalho - SEMANA 26

"Um turbilhão de snujs batendo, forte, o tremor da juventude trêmula, entre os sons antigos do homem é onde encontrarás este dançarina dos sonhos. 

Esta dança flutua além dos campanários, bem acima das luas crescentes, onde tapetes voadores trocam presentes em formas de movimento, tão familiares às mesquitas da Espanha, através do deserto da Arábia, até a nossa casa... onde quer que seja.

Embora a história da sua dança durma misteriosamente em uma tumba, sua beleza transcende regiões, e o ontem balança tão perfeitamente na eternidade... como uma espada.

O novo caminho da dança está sendo esculpido pela escultora cuja magia nos leva a perceber que o movimento do universo é apenas um lampejo nos olhos de uma senhora, perdido nas cores piscando de amor."

Homenagem feita a DeAnn por Hal Marcus

Nascido em Healdsburg, Califórnia, em 05 de janeiro de 1949, ela era sempre criativa e corajosa. 

Coroada Miss Sonoma County, em 1968, de grande beleza DeAnn por dentro e por fora estava começando a ser notada assim.


Como dançarina, ela era conhecida por sua poderosa presença de palco, magistral trabalho com snujs e espada inigualáveis. Ela estudou muito com Jamila Salimpour no início de 1970, e se tornou uma solista com a famosa trupe, Bal Anat






A partir dessas raízes, DeAnn formou o The Dream Dancers, em que seu próprio gênio coreográfico foi exibido. Ela inspirou milhares de bailarinos através de seu ensino, onde ela compartilhou seu espírito e risos, bem como suas habilidades de dança. Este grupo era bem conhecido por seus shows cativantes toda área da Baía de San Francisco e com o seu trabalho com a banda, Light Rain.


DeAnn morreu em dezembro de 2000, vítima de sonambulismo caiu de seu apartamento... voou para dançar em outros palcos.


24 de novembro de 2014

143 - DeANN ADAMS

143 por Carine Würch - SEMANA 26

PARTE 1

Conhecida por sua beleza e talento, DeAnn foi Miss em 1968. 

Dirigindo por Sao Francisco em uma noite, no final de 1970, a jovem DeAnn ouviu a música exótica de Fadil Shaheen no rádio, ele estava tocando em um clube chamado The Casbah na Broadway St. Ela achou o caminho para este clube e seu destino foi mudado quando atravessou suas portas escuras. Ela viu uma dançarina e decidiu ali mesmo: "Eu tenho que fazer isso."

Em uma semana ela estava tendo aulas em Santa Cruz, Califórnia, onde morava. Não demorou muito para que ouvir de uma professora em Sao Francisco chamada Jamila Salimpour

DeAnn começou a ir para Sao Francisco regularmente para estudar com a famosa professora. Jamila deu a DeAnn o nome de dança, Zainah, e encorajou-a em um talento especial: dança de espada. Não demorou muito para que DeAnn se tornasse uma solista com a trupe de JamilaBal Anat.

Sua jornada de dança, na verdade, levou-a de volta ao The Casbah, onde tinha originalmente ouvido pela primeira vez os sons da música árabe e se tornou uma dançarina de destaque... finalmente tornando realidade sua fantasia.

Em 1974, ela começou a trabalhar com Doug Adams, um músico do Texas , com quem viria a se casar. Felicitando a "flower-child era" em Sao Francisco, Doug, seus músicos, e DeAnn hipnotizaram muitos turistas na atmosfera carnavalesca do Cais dos Pescadores de São Francisco, com a sua arte de rua. Passando do pandeiro para moedas, DeAnn se tornou o poster da menina dos anos 70 pela sua dança. Ela também dançava uma noite por semana em um clubes chamado The Holy City Zoo, um local de encontro para pessoas habituadas com cantores e compositores. Diz um artista plástico e amigo de longa data, Hal Marcus: "The Holy City Zoo foi onde DeAnn realmente começou a desenvolver seu próprio estilo. Na segurança do pequeno local, quente, cheio de seus amigos: artistas, músicos, fotógrafos, escritores e outros dançarinos, ela começou a explorar um novo nível de sensualidade. Lá onde poderia ser apreciado como a grande arte que era."



Foi durante essa época que o mix de música de árabe, espanhola que a banda Light Rain nasceu. Ambos, DeAnn e Doug, foram inspirados a compor músicas, que se tornariam clássicos para muitos bailarinos da época. O primeiro álbum foi chamado Dream Dancer. Este foi o primeiro álbum de música Dança do Ventre composto inteiramente por músicos americanos.

DeAnn Amaya forma amigas de longa data, e Amaya foi sua aluna e seguidora durante vários anos. Um dia, as duas passaram uma tarde quente em um estúdio de gravação em Austin, TX, para gravar seus zagareets na canção, "Women of the Well" e Amaya pode tocar seus sinos indianos na canção, "Spirit of the Wind" no álbum Dream DancerDeAnn passou a co-produzir mais três álbuns do Light Rain, que se tornaram clássicos da coleção dos dançarinos. Eles são "Valentine to Eden", "Dark Fire" e "Dream Suite."

... continua...

23 de novembro de 2014

144 - CECELIA COMARTIN (CASSIMA)

144  por Carine Würch - SEMANA 25

Em 1974 junto com a colega de turma Jamila, a dançarina Yasmela, Cecelia Comartin (Cassima), fundou a Bou-Saada Dance Troupe usando como modelo o Bal Anat 
de Jamila Salimpour

Bou-Saada Dance Troupe, composto por 5 bailarinos, 3 músicos, e um roadie, viajou a Costa Oeste, Canadá, Wyoming, Montana e Idaho, em um ônibus de turismo com um sistema de som, palco e iluminação profissional por cerca de 10 anos. 

Como o esforço coletivo, os membros Bou-Saada desenvolveram habilidades em todos os aspectos, incluindo as habilidades técnicas necessárias para a produção de um espetáculo profissional.

"Cada um de nós podia tocar um instrumento, cantar, dançar, mexer na mesa de som, definir um cenário arrumar luzes, monitores e microfones, ligá-los e colocá-los em uso. Fizemos nossos próprios figurinos e nossos próprios derbacks e usamos fita adesiva, de mil maneiras criativas. Enquanto nós nunca ganhamos dinheiro com esta vida, fizemos dela nosso modo de vida. Nossas experiências vão nos unir para sempre." (Yasmela)

FONTES:


** Tradução livre: Carine Würch **



22 de novembro de 2014

145 - AMINA

145 por Maria Carvalho - SEMANA 25

-- Onde paramos?

Ah, sim... uma casa, proposta de café, Amina sozinha e o dono da boate propondo uma conversinha em outro ambiente. Para se ver longe do constrangimento daquela massagem com óleos aromatizados, incensos, ela toparia ir para qualquer outro local, contudo ao abrir a porta o que se viu foi o quarto de dormir. A corrida em direção da porta foi certeira, ao fundo se ouvia "volte, sempre fui profissional com minhas bailarinas".
Amina precisava de dinheiro, tinha 3 filhos em tenra idade, dançar seria uma forma de completar o orçamento e entrar em forma, mas não a esse preço.

Essa passagem do inicio da carreira deve ser conhecida de algumas pessoas, os pedidos de show privado, um contato mais pessoal é típico, o desconforto provocado também. Fat Chance!!!

Já vi bailarinas serem selecionadas pelo contratante por suas estruturas físicas, beleza, sendo a dança secundária, quando a contratação começa neste viés é certeza de terminar no caminho errado.

Na dúvida não aceitem convites para um café, água, refri... pode terminar de forma intencionalmente desvirtuada, a postura com que se lida com a carreira determina como será tratada.

Vamo que vamo
Xeros

21 de novembro de 2014

146 - AMINA

146 por Maria Carvalho - SEMANA 25

"E agora com vocês, Amina!'

Aziza! a olhou e ela perguntou: quem é essa? Ora é você, um empurrão, depois e Amina subira no palco do Bagdad, o único club da cidade.

A estréia de Amina foi cheia de histórias engraçadas e macabras, duas me chamaram atenção. Ela precisava de um figurino, mas cadê tu-tu pra isso? Eis que lembrou de uma patinadora dos anos 30, e zaz, as cortinas da sala viraram a saia, o sutiã foi coberto com o tecido e um pouco de bordado para dar o glamour. Veio na minha cabeça O Vento Levou, Scarlet O'hara!!!


Quando Aziza! viu o lenço amarrado na cintura, questionou imediatamente, causou estranheza, mas Amina tinha tido um pacote de duas ou três aulas, antes de se aventurar no palco do Bagdad, sequer sabia que o cinturão não era feito junto a saia, mas toda essa explicação ocorrera 5 min antes do anuncio de sua dança, então o que fazer com o lenço na cintura? Aziza! respondeu; na música lenta você saberá. Jesuuuuuuuuuuuuuuuuus!!!

Naquela mesma noite havia necessidade de combinar as futuras apresentações com Yousef Kouyoumjian, dono do clube, todos foram embora, ele lembrou de um café, contudo o estabelecimento estava fechando, então sugeriu irem a sua casa, ali próximo, que dividia com sua mãe. 

Chegando na casa, sem mãe nenhuma, Amina se viu no desconforto de estar só com um homem que iniciava massagens com um óleo aromático em seus braços e pés, fala sério!!! 

Como terminou essa saia justa?
Cenas do próximo capítulo.

Xeros e vamo que vamo





FONTE:

18 de novembro de 2014

148 - AMINA

148  por Carine Würch - SEMANA 25

Mais uma contemporânea nos nossos estudos, assim como Diane Webber, temos a distinta Amina  Goodyear (a quem não vamos nos prender, mas que cruzou o caminho do Bal Anat e de Jamila:


"Amina foi a primeira a desempenhar o papel deusa mãe de Jamila. A trupe Bal Anat foi iniciada em resposta a Jamila ser convidada a fazer uma palestra na UCSF em Milberry Union

Ela queria fazer toda a cronologia da Deusa Mãe. Amina era conhecida por seus bellyrolls, então Jamila pediu a ela para fazer a dança do nascimento. Ela queria que Amina o fizesse de topless, mas Amina recusou-se. Então fez isso em um collant cor de pele. 

Amina não fazia parte do grupo de Jamila, apenas preencheu essa parte. 

Após a Renassaice FaireAmina lembra que Jamila fez vários "Festivais da Lua" no Casbah, que eram noites dos alunos." (Lynette)


FONTE:

** Tradução livre - Carine Würch **




Relato de Mark Bell (músico):

"Quando comecei a trabalhar no Bagdad, trabalhei segundas e terças a noite. Eram noites incrivelmente mortas, com talvez de 6 a 10 pessoas na platéia. O que foi bom para mim, pois precisava de um monte de trabalho. Tive que aprender sobre palco. Nunca tinha ouvido nenhuma das músicas George estava tocando. E também não tinha idéia sobre com tocar para dançarinas em casas noturnas.

Uma das imagens que me lembro, e que era muito legal: quando George Elias fazia um solo de Farid al Atrash no oud. Ele costumava tocar muito isto para Amina.

Amina fazia então um Taksim no solo tão incrível, jogava o cabelo para lá e pra cá, muito além das restrições coreográficas rotineiras aceitas nos floorworks da época. 

Eu não sei se ela entrava em transe, mas era realmente selvagem."
FONTE:
** Tradução livre - Carine Würch **

149 - AFRITA - BADAWIA

149 por Carine Würch - SEMANA 25

"Pouco depois de chegarmos a Nebraska, Gabriella precisou voltar ao México por causa de seu divórcio. Guy contatou seu agente em Los Angeles para que ele mandasse outra dançarina ou cantora, mas não havia ninguém apropriado, que estivesse disponível. Esse agente contatou alguém em Nebraska, e disse que havia visto uma menina da Jordânia dançando de brincadeira em um clube de dança - apenas com suas roupas do dia a dia - e pensou que ela poderia ser o que precisávamos. Assim que nos conhecemos, a jovem que viria a se tornar Badawia, muito conhecida e amada professora e bailarina de Oregon

Quando ela veio até nós, ela só sabia básico, e tivemos uma tarde para deixá-la preparada para ser uma Bellydancer - bem como fazer um figurino! Como você pode imaginar, Lincoln, Nebraska, em 1969, não era uma boa opção para encontrar os componentes para um traje de dança do ventre!

Depois de passar "pente fino" nas lojas, encontramos um pouco de chiffon verde para uma saia e cortamos um vestido dourado para fazer um cinto (algumas correntes e moedas penduradas deram um pouco de estilo e movimento) e para cobrir o top - usamos um de seus próprios sutiãs, pois ela apesar de magra, tinha seios muito grandes, e não foi nada fácil achar algo que servisse! Embora seu desempenho não fosse muito polido, o público a amava, pois sua doce personalidade irradiava. Usando o nome Afrita, ela ficou com a gente pelo resto da turnê, e a ensinei todos os dias. Eventualmente, ela foi para a Califórnia para continuar a sua nova carreira, inclusive teve algumas aulas com Jamila, e continuou a partir daí." ( Aziza!)

FONTE:


"Ela passou cinco anos estudando com Badawia, natural da Jordânia, a quem ela descreve como "intensa, incrível", e de quem ela aprendeu sobre a essência da dança como algo emocional, bem como física. Aisha viajou freqüentemente para Portland, Oregon, e seguiu sua mentora de workshop a workshop por todo o Noroeste." (A’isha Azar)

FONTE:



"... foi mais inspirada na década de 70 e início dos anos 80, por Badawia, uma intensa dançarina jordaniana de Portland, Oregon." (Rahma Haddad

FONTE:

17 de novembro de 2014

150 - AFRITA (Badawia)

150 por Maria Carvalho - SEMANA 25
Sair em turnê era muito comum nos idos de 1960-70, aliás até hoje o mundo artístico dá vazão ao seu trabalho desta forma. Aziza!, de quem já falamos, juntou-se ao músico Guy e colocou o pé, ou melhor o ventre :) na estrada.

1968 era o ano, Aziza! junto a Guy e seus músicos procuravam bailarinas para engrossar suas apresentações e no caminho encontraram Afrita. A técnica ainda não era muito polida, mas a forma doce de dançar se conectou com o público que a amava em cena.

Afrita acabou fazendo parte do grupo e aprendendo diariamente com Aziza!, após esse período foi para Califórnia onde iniciou aulas com Jamila.

On the road - assim foi o início de Afrita.

16 de novembro de 2014

151 - ATASH

151 por Carine Würch - SEMANA 24

Falando de pessoas expoentes, líderes, assim como falando de nós, pessoas comuns, sempre percebemos que haverá os dois lados da moeda, as duas versões, os dois (ou mais) pontos de vista.

Trazer estes pontos para o Pilares, engrandece o trabalho, afinal, estamos falando de humanos. Falhos, com erros, acertos, dúvidas. Mostra a história por todos os lados, e não apenas um romance bonito, uma história pintada e bordada com nossas moedas e assuits (rsrsrsrs). O diálogo e a diferentes perspectivas nos fazem crescer, e nos fazem pensar!

Quem está a frente, normalmente precisa dar uma direção, e isto custa, pois não agrada, e nunca agradará a todos. Desde que a pessoa se mantenha verdadeira aos seus princípios e verdades, seja honesta, sem a necessidade de "passar a perna" em ninguém, nunca isto será ruim.

Deixo mais um texto para nossa reflexão, seguindo o que começamos com Selwa.

Texto de Sadira para o Gilded Serpent

Comecei a estudar Dança do Ventre em 1972, logo nos primórdios de sua existência aqui na área da Baía de San Francisco. Havia apenas um grupo que era considerado "O Único" grupo de dança, dançarinos, ou instrutores, que tinham qualquer fundamentação no cenário da dança do Oriente Médio. Se você não pertencia a esse grupo, era como fosse um exilado! Era como uma guerra real, às vezes. Para mim, uma cena estranha. Como uma jovem de 17 anos, vinha com o "Peace and Love Generation", onde todos deveriam trabalhar juntos.

Eu não tinha experiência com as intrigas políticas do mundo da arte, nem com as crueldades que os artistas que se opunham, usavam como justificativa, em nome  "Da Dança"!

Muitos bailarinos sentem, como eu, que Jamila Salimpour e sua Trupe "Bal Anat" merecem grande respeito e homenagem, dada a enorme influência que tiveram sobre bailarinos e estilos de dança na área da Baía de San Francisco durante esse tempo. No entanto, havia um lado muito escuro para o cenário da dança. Se você não dançasse e estudasse com Jamila, ou com um de seus professores designados, você era considerado um rejeitado, muitas vezes, propositadamente, esnobado e, por vezes, eram feitos esforços para sabotar sua dança ou shows.

de faeorain - deviantart

Jamila era considerada por muitos locais, como a grande matriarca da dança. Me lembra a Alta Sacerdotisa no Tarot, exceto por ela parecer uma versão Kali mais sinistra e mais dark.

Isso, é claro, era porque eu não era um membro de seu grupo, estava ligada aos "Os Outros". 

Nunca tive o privilégio de conhecer ou ver o lado benevolente de sua presença, nem era alguém que eu conhecia naquela época. 

Jamila sempre pareceu maior que a vida, seja no palco do Renaissance Faire ou no palco do  Casbah Cabaret, presidindo suas noites de estudantes ou "festivais da lua". Ela parecia uma presença imponente, com as penas escuras de avestruz que adornavam seu enfeite de cabelo. 

Tudo o que se podia ver era seu rosto bonito, branco, com seus olhos escuros, delineados de Kohl e suas tatuagens falsas. No entanto, havia os olhos... perfurando, comandando, condenando e exalando energia. Você sabia que você tinha que estar na presença de uma Deusa, pois aquela energia, para muitos bailarinos, os consumia.

A maioria dos dançarinos no Casbah eram de sua comitiva, e eles eram os dançarinos mais incríveis que eu já tinha visto. 

O Renaissance Faire... quando os sons dos mizmars e zornas tocavam ao longo dos recintos, éramos puxados, hipnotizados, para a apresentação que acontecia.

Embora Jamila agora admita publicamente, que a maior parte de sua dança era invenção, e apenas em parte, real, isso não foi reconhecido nos primeiros tempos na Bay Area Belly Dance.

Esta era a única verdadeira maneira... de dançar, de vestir... caso contrário, seu trabalho era considerado inútil, ou não-autêntico.

Vendo tudo a partir da perspectiva de quase trinta anos de dança, agora vejo a ironia que muitos dançarinos começaram a reinventar o "Estilo Tribal" em "American Tribal Style", e me lembro daqueles dias de volta na década de 70, quando o étnico estilizado era a única maneira de "verdadeira" de dançar. Agora, vestidos de Assiut com moedas estão de volta em grande estilo, vs. pérolas, pulseiras, e brilhantes tecidos transparentes. Muitos dos novos bailarinos de hoje não têm idéia das origens da dança dos anos 70, quando aquele olhar era o único "aceito". A História se repete... Eu lamento a morte da verdadeira individualidade e criatividade que levou tanto tempo para desenvolver entre os dançarinos americanos. Ainda há muitos que se destacam, por exemplo, Suhaila Salimpour, filha de Jamila, que está abrindo novos caminhos e dança sua própria dança.

Eu tive a infeliz experiência (aos olhos de dinastia a Salimpour), de ter aulas de dança de uma professora, Atash, que foi banida do Bal Anat Troupe, por se atrever a ensinar, sem a aprovação de Jamila. Jamila tinha que dar sua aprovação a qualquer professor que estivesse afiliado a sua instrução.

Se ela não anunciasse que você podia dar aulas sob sua orientação, e você saísse por conta própria... você, com certeza, se toRnaria um dos "os outros"!

Atash tinha sido uma dançarina de espada do Bal Anat Troupe. Ela tinha começado a ensinar antes Jamila dar-lhe sua bênção. Assim, ela e todos os que vieram depois dela, foram fortemente controladas na comunidade de dança e foram levados a acreditar que eramos ignorados. Infelizmente, toda a política de "esfaquear pelas costas" tornou-se demais para minha professora, e ela se aposentou depois de apenas alguns anos de ensino.

Etnia (étnico) era o estilo, e tudo mais era quase impensável! Sutiãs e cintos de moedas, saias listradas pesadas e véus, dois pares de saias circulares e pantalonas, juntamente com vários cachecóis e autênticas jóias Afghani e turcomanas. Esta era a única maneira correta de se vestir para a dança. Eu acreditava que se você usasse alguma coisa diferente do que este tipo de figurino, você não era uma "dançarina real".

Esta disparidade entre o estilo étnico e o estilo cabaret ccontinuaram por muitos anos, até que os vídeos e músicas do Egito nos mostraram Nagua Fuoad e Sohair Zaki, num estilo muito cabaret.

Estudei com muitas professoras, principalmente aquelas que têm sido extraordinárias por o seu próprio talento e autenticidade, com os vários estilos de dança entre Egito, África do Norte, Arábia Saudita, Pérsia ou da Arménia.

Minha mais próxima e influente professora foi Rhea. A vi pela primeira vez dançando com sua trupe no Naji Baba Television Show. Depois de assistir Rhea na televisão, eu ansiava por copiar seu estilo de dança vigoroso e enérgico. A conheci, tornei me aluna, amiga e membro de sua trupe "Nara Nata", por um longo período.

O restante do artigo está traduzido aqui.

FONTE:
** Tradução Livre - Carine Würch **

15 de novembro de 2014

152 - SELWA

152 por Maria Carvalho - SEMANA 24

Os outros...

Estudando sobre Selwa, de quem nunca tinha ouvido falar, me deparei com uma história comum em nosso meio, "os outros"!!! Continuo acreditando ser fundamental o estudo sobre nosso antepassado, observando com lucidez que se tratam de vidas e seres humanos são falhos, com isto em mente imaginar atitudes mesquinhas, soberbas é natural e até um pouco esperado.

Replico sempre que possível, a política do endeusamento gera problema ao "objeto/pessoa" de adoração e aos adoradores. Se partirmos do pressuposto que a dança tem "n" formas de se expressar e que cada professor estará expondo sua versão, uma em milhares, ficará nítido que não há uma verdade, há um universo de possibilidade e uma formação profissional ou mais enraizada demanda que se conheça diversas, centenas maneiras de ver o mesmo ponto de luz.

Na prática, as panelinhas se fortalecem, os que não fazem parte são os outros, figura que já existia nos idos de Jamila, Selwa... se a bailarina vinha do secto de Miss J, era aceita, caso contrário virava uma integrante da horda dos indesejados, menciona Sadira, em suas memórias. Se tinha a benção de Salimpour, poderia ministrar aulas, caso contrário toda uma "linhagem" de alunos estava condenado ao ostracismo. Entendo que o objetivo era garantir um padrão de qualidade, uma linha de trabalho, porém se pode descobrir várias maneiras de dizer o mesmo conceito, sem que um esteja mais certo que o outro.

Há as professoras que ainda incentivam de forma clara e eficiente à suas pupilas ficarem restritas a seus ensinamentos e área de conforto, ora você só vai saber se dança quando sair da zona de conforto, ir no epicentro do furacão e colocar-se a prova. Estamos num mundo globalizado, a informação está disponível e acessível, muitas vezes num teclar de dedos, permanecer na escuridão, só por opção.

Este ano estive em um Festival de Dança onde todos os convidados faziam parte da apresentação de Gala, não havia estrelas e astros menores, somente uma unica constelação de seres que brilham, fantástico! Vejo a dança com essa democracia, igualdade e isonomia, o universo tribal deve ser um mundo de respeito e acolhimento, onde todos são bem-vindos ao clã, venham de onde vier.

Sartre dizia com categoria que "o inferno são os outros", recentemente ouvi um pensador (já me esforcei pra lembrar a fonte....naaadaaaaa)  desdizê-lo com base no livre pensar, ele afirmava "os outros são a solução" afinal somos seres coletivos, um abraço pode mudar um dia cinzento, e como pode. 

Um abraço forte com um xero no coração
Vamo que vamo.