4 de maio de 2015

PILARES ENTREVISTA - Sister Studio Mariana Esther

Entrevista elaborada por Carine Würch para os participantes do General Skills e Teacher Training com Carolena Nericcio e Megha Gavin, em abril de 2015 em São Paulo. 
Conte uma breve trajetória da sua dança. (Mariana Esther)
Em meados de 2009, comecei, como a maioria das bailarinas do Estilo Tribal do Brasil, a ter aulas de Tribal Fusion, no interior de São Paulo. No ano seguinte, nossa professora, Larissa Elias, teve que se afastar temporariamente para dar andamento às suas atividades profissionais em outro país. A partir daí me pediram para continuar tocando os estudos e treinos com minhas companheiras de aula até que nossa teacher retornasse. Para cumprir a missão, comecei a estudar por meio dos dvd's didáticos disponíveis à época. Nesse entremeio, me deparei com os vídeos do FCBD® Inc.Tribal Basics e enquanto assistia, pensei: "que coisa estranha...". Daí percebi que era o American Tribal Style® do qual minha professora havia falado num breve relato da história do estilo. "Hum, engraçado isso aqui. E esses pompons?!? Eu nunca usaria isso!" Ha-ha!

Bom, depois que resolvi sentar e estudar o tal de ATS® é que percebi que aquilo de fato era um formato muito bacana, para não falar genial, com uma beleza própria, e que ele promovia a segurança e paz interior que eu não encontrava nos outros estilos de dança oriental ou derivados, e que tais elementos me faltavam para conseguir canalizar a emoção que a dança deve mostrar.

Passado mais um ano, decidi que era isso o que gostava de fazer e que queria compartilhar. Intensifiquei os estudos, visitei festivais, e, em 2012, fui a São Francisco, onde participei dos cursos General Skills e Teacher Trainings, e de aulas regulares no estúdio do FatChanceBellyDance®, conquistando na sequência o status de FCBD® Sister Studio.

A partir daí, todo dia que danço ATS® é um dia mais feliz! E se tiver pompons, é ainda melhor!

O que fez você escolher fazer o curso com Carolena Nericcio? 

Mesmo após certificada, não ter uma professora de carne e osso ao seu lado faz muita falta. Além disso, cada vez que eu assisto à série de dvd's do Tribal Basics, ou às aulas online desenvolvidas pelo FCBD®, eu vejo algo ali que não havia visto antes. Isso porque quem assiste à explicação pela segunda vez já não é mais a mesma pessoa que a assistiu na primeira vez. Por isso considerei tão importante participar novamente do General Skills e do Teacher Training. Jamais perderia a oportunidade de ter contato novamente com minha mestra Carolena e, de quebra, conhecer a simpática Megha!

Você já fazia aulas regulares de ATS? Participa de algum grupo/ trupe que se dedica ao estilo?
Dou aulas semanais de ATS® desde o início de 2013, no Espaço La Luna de Dança Egípcia Clássica (que, sim, agora tem Tribal também!), para alunas do município de Ribeirão Preto/SP e região. Como fui pioneira no estilo nesta cidade, somente agora, dois anos depois, as alunas que têm me acompanhado desde o início estão se sentindo mais confiantes e preparadas para se apresentar fora do ambiente familiar da escola. A partir daqui o Espaço La Luna ajudará o ATS® a conquistar o mundo!   *\o/*


Na sua opinião, qual a maior dificuldade dentro do curso? (desafios físicos, mentais, financeiros?)
Felizmente, ao contrário do que imaginava, não senti dificuldades neste curso. Talvez quando fiz o GS em São Francisco tenha sentido bastante cansaço, devido, todavia, à falta de costume à postura e, claro, à ansiedade. Desta vez foi só alegria! Definitivamente o curso não foi caro pelo que promoveu. Cada centavo investido não paga o valor do conhecimento que se desenvolveu ali. 

A única coisa que aconteceu que me gerou um certo cansaço mental foi o fato de em várias explicações algumas perguntas serem repetidas, muitas vezes com as mesmas palavras, mesmo havendo uma tradução simultânea de alta qualidade. Acredito que tenha sido pelo tamanho da turma e por distrações momentâneas. Claro que o importante é que todos os participantes tenham concluído o treinamento com suas dúvidas resolvidas!

Com esta formação, pretende dar aulas regulares de ATS?
Continuarei dando minhas aulas semanais, e provavelmente desenvolverei cursos intensivos.

O que mais você absorveu de toda esta experiência?
Percebi que um fenômeno muito interessante acontece quando praticantes desse estilo de dança se reúnem: uma amostra do que o amor que inúmeras pessoas têm por um só objetivo gera. Quando 140 braços se levantaram e snujs começaram a ser tocados, olhava ao meu redor boquiaberta. Me senti num transe que só acabou uma semana depois. Se temos pessoas com verdadeira empatia com os princípios do ATS®, cooperação e respeito é o que passa a reger as interações. É uma simulação de uma comunidade boa e civilizada!


Como é ter aulas com a criadora do Estilo? Sua percepção em relação a Carolena (mãezona? Rígida? etc) é diferente do que você imaginava anteriormente? Conte-nos. :)
Carolena Nericcio-Bohlman é o que ela prega. Bom, na verdade ela prega aquilo no qual acredita, seguindo princípios adquiridos na sua formação familiar e artística. Professora de respeito, que não precisa fazer macaquices ou ser durona para chamar a atenção. É precisa e sincera no que diz, e muito generosa com seu conhecimento. Tudo isso ela faz não por princípios morais, mas pelo amor à sua arte e desejo de que sua criação se expanda por todos os cantinhos desse mundo. É alguém que se orgulha do que faz e que não tem vergonha de mostrar e de defender isso.


Deixe uma mensagem para nossas leitoras.
Acho que todas as pessoas deveriam praticar ATS® um pouco na vida. Também acho isso da música e dos esportes, por outros motivos. O ATS® ajuda a desenvolver rapidamente um pacotinho de habilidades das quais sinto tanta falta quando olho para as pessoas no dia-a-dia, tanto que às vezes me pego pensando: "isso não estaria acontecendo se essa pessoa soubesse dançar ATS®". Seja o olhar nos olhos, seja a comunicação não-verbal, a postura que lhe dá poder e confiança, a noção espacial, a capacidade de trabalhar em conjunto para um bem maior, único e impessoal, e ter e expressar a gratidão e reconhecimento por tudo aquilo que faz você ser você. Todos esses elementos eram inexistentes em mim antes do Tribal aparecer. Desde então não tive mais dores nas costas, consigo me impor de forma positiva numa discussão, me faço presente no meu trabalho, passei a conseguir fazer amigos mais facilmente (um verdadeiro desafio para a pessoa tímida como eu!) e a me amar.

Por isso sou grata pelos encontros com as pessoas certas ao longo da vida, que me levaram até aqui e me ensinaram a apreciar a arte, que pode não ser essencial para a sobrevivência fisiológica, mas inestimável para a vivência social. (Mariana Esther)
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